A cidade escolhida por Tarcísio de Freitas (Republicanos) para dar início à sua campanha oficial à reeleição já sinaliza um dos principais desafios que o candidato deve enfrentar na disputa pelo governo paulista: o de conseguir os votos da região metropolitana de São Paulo, que deu vitória a Fernando Haddad (PT) em 2022.
Tarcísio abriu sua agenda de campanha na manhã desse domingo (16/8) em Osasco, em um encontro com mulheres. Na sequência, participou do lançamento da candidatura a deputado estadual de Rogério Lins (Podemos), ex-prefeito da cidade. Na eleição passada, Tarcísio teve 49,68% dos votos em Osasco, enquanto Haddad teve 50,32%.
A conquista do município nesta eleição, um dos mais populosos do estado e com cerca de 590 mil eleitores, é considerada estratégica pela equipe dos candidatos ao governo e será um dos focos de Tarcísio na região metropolitana.
Na capital, o político tem utilizado a influência do prefeito Ricardo Nunes (MDB) para ganhar espaço. Já na pré-campanha, Tarcísio fez uma série de agendas conjuntas com o emedebista, que se tornou um aliado de primeira hora do governador desde a eleição municipal, quando Tarcísio foi fiador de Nunes junto à direita.
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do Metrópoles SP
A busca pelos votos da Grande São Paulo, se bem-sucedida, pode ser decisiva para o governador. Líder nas pesquisas de intenção de voto e com grande vantagem em relação ao seu principal adversário, Tarcísio deve tentar faturar a disputa já no primeiro turno, o que repetiria um feito que não acontece no estado desde 2014, quando Geraldo Alckmin (na época, PSDB) saiu vencedor nesta etapa da eleição.
Escolhido por Jair Bolsonaro (PL) para disputar o estado em 2022, o ex-ministro da Infraestrutura chega para o pleito deste ano em condições bem diferentes daquelas que encontrou há quatro anos.
Da outra vez, o engenheiro carioca que morava em Brasília cresceu nas pesquisas impulsionado pelo bolsonarismo e chegou ao segundo turno desbancando Rodrigo Garcia (então no PSDB) e colocando fim a era tucana à frente do Palácio dos Bandeirantes.
Na disputa do segundo turno com Haddad (PT) enfrentou críticas pelo distanciamento com São Paulo e por projetos como a privatização da Sabesp, mas saiu vencedor ao conseguir os votos do interior paulista.
Quatro anos depois, Tarcísio já não se apoia mais no bolsonarismo para a campanha e usará as entregas de projetos iniciados por gestões anteriores, como a linha 17-Ouro do monotrilho, para se vender como um “político que faz”.
Exposto por estar no governo, no entanto, será confrontado por seus adversários pelas falhas e polêmicas de sua gestão. Um dos principais pontos de crítica deve ser as concessões das linhas de trem à iniciativa privada.
Depois de uma série de episódios graves, como o incêndio em um trem e descarrilamentos, Tarcísio será confrontado sobre a eficácia da medida e dos contratos. O tema é sensível para os moradores da região metropolitana, que lidam diretamente com o caos no transporte público. Uma pesquisa do Instituto Datafolha mostrou que a maioria dos paulistas rejeita as privatizações de linhas de trem e metrô.
Outra medida que pode ser questionada pelos paulistas é a privatização da Sabesp. A explosão de gás durante uma obra da companhia na zona oeste de São Paulo no primeiro semestre deste ano, somada aos problemas no fornecimento de água e o preço da conta geraram críticas à venda da companhia.
Tarcísio também deve ser confrontado pela questões de segurança pública. O aumento de feminícidios no estado, com casos famosos em sua gestão como o da soldado Gisele Alves Santana, morta pelo marido policial, e o de Tainara Souza Santos, atropelada e arrastada pelo ex na Marginal Tietê, abalaram a população feminina paulista.
“A gente sabe que as mulheres não se sentem seguras”, afirmou o governador na agenda de campanha desse domingo, em Osasco.
A insegurança como um todo é outro problema. Pesquisa Datafolha mostra que a sensação de segurança diminuiu no estado, mas ainda está em índices altos: 47% dos eleitores de São Paulo com 16 anos ou mais têm muito medo de sofrer um assalto na rua. O medo sobe para 60% entre quem vive na região metropolitana.
Para responder aos ataques nesta área, Tarcísio vem apresentando índices de redução de criminalidade e encampando o discurso de que é solidário à população que se sente insegura, prometendo investimentos contínuos nas polícias.
Chamou a atenção, nesse domingo, uma fala em que candidato à reeleição cobrou o Judiciário e criticou o acesso a benefícios previstos em lei para condenados reincidentes. “A gente prende, o sistema judiciário solta. Eu não sou a favor do encarceramento em massa. O problema é o acesso a determinados benefícios quando há reincidência,” afirmou. A colocação destoa da proposta de outros candidatos da direita, que defendem a construção de mais presídios.
A educação cercada de polêmicas como a criação de escolas cívico-militares, e que tem indicadores abaixo do esperado para o estado mais rico do país, é outro ponto que deve aparecer nos debates. No primeiro deles, na Band, no último dia 9/8, o tema veio já na abertura do primeiro bloco.
O debate mostrou que Tarcísio tem treinado respostas para as críticas. Basta saber se, em busca da reeleição, o candidato conseguirá calcular seus movimentos para se manter forte até outubro.
Veja quem são todos os candidatos ao governo de São Paulo (em ordem alfabética):
- Carlos Machado (PCB)
- Fernando Haddad (PT)
- Izadora Dias (PCO)
- Tarcísio de Freitas (Republicanos)
- Vera Lúcia (PSTU)
- Vivian Mendes (UP)
Fonte: Matrópoles








