Exclusivo: Hamas detalha negociações de trégua em Gaza com Israel

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Após mais de uma semana de negociações, estagnadas até o momento, o Hamas culpou o governo de Israel por não corresponder as “mínimas necessidades” para um acordo de cessar-fogo na Faixa de Gaza. A informação foi divulgada ao Metrópoles pelo porta-voz da ala política do grupo Khaled Qaddoumi, que também atua como representante da organização extremista no Irã.

Trégua anterior

Desde o último dia 6 de julho, negociadores israelenses e palestinos tentam chegar a um consenso para uma nova trégua. As discussões foram retomadas após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar um acordo de cessar-fogo de 60 dias na guerra em Gaza, no início do mês.

Inicialmente, ambos os lados expressaram posições positivas sobre a nova trégua, e passaram a discutir pontos no texto final.

“Mantemos a mente aberta, acolhemos as propostas dos mediadores, estudamos a proposta dos americanos e enfatizamos que, para um acordo viável, deve haver a garantia de um cessar-fogo permanente, um fluxo tranquilo de ajuda humanitária, abertura das fronteiras e retirada das forças beligerantes israelenses [da Faixa de Gaza]”, disse Qaddoumi à reportagem.

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Donald Trump e Benjamin Netanyahu

Kevin Dietsch/Getty Images2 de 5

Israelenses libertadas pelo hamas

Reprodução/CNN3 de 5

soldado israelense solta pelo Hamas

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Guerra Israel e Hamas

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Membros das Brigadas Al-Qassam

Reprodução

Em meio às negociações, o grupo acusou o governo de Benjamin Netanyahu de não enviar respostas que correspondam a “mínima necessidade de um acordo sólido e sério”. Nas palavras do porta-voz do Hamas, o premiê israelense tem se deixado a levar por pressões políticas internas da coalizão governamental que o mantém no poder, como aconteceu no primeiro cessar-fogo em Gaza, em janeiro deste ano.

Na época, o ministro da Segurança Nacional de Israel, Itamar Ben-Gvir, chegou a abandonar o governo por ser contra a primeira trégua com o Hamas.

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Cenário de instabilidade política que também é plano de fundo das novas negociações de paz. Na segunda-feira (14/7), o partido Judaísmo Unido da Torá deixou a coalizão por não concordar com o recrutamento militar de judeus ultraortodoxos para as Forças de Defesa de Israel (FDI).

“Para apoiar suas ideias, ele explora a situação de seu gabinete e dá espaço especial às figuras mais fanáticas e extremistas, como Itamar Ben-Gvir e Smotrich [ministro das Finanças], que sempre se opuseram ao acordo”, disse o porta-voz.

Netanyahu se posiciona

Apesar das acusações do grupo palestino, classificado como terrorista por boa parte da comunidade internacional, o premiê de Israel, Benjamin Netanyahu, culpa o Hamas pela estagnação nas negociações.

Em um comunicado divulgado no último dia 13 de julho, o primeiro-ministro israelense afirmou que o Hamas rejeitou a nova versão da trégua de 60 dias, proposta pelos EUA e reformulada por mediadores A retirada de tropas israelenses da Faixa de Gaza, contudo, tem barrado o andamento do acordo.

“O que precisamos fazer é a coisa certa. Insistir na libertação dos reféns e insistir no segundo objetivo da guerra em Gaza: a eliminação do Hamas e garantir que Gaza nunca mais seja uma ameaça para Israel”, destacou Netanyahu. “Não farei concessões nessas missões”.

Por conta das divergências entre os dois lados envolvidos na guerra, que já matou mais de 55 mil palestinos desde 2023, o governo do Catar afirmou que trabalha “24 horas por dia” para garantir a trégua.

“Estamos explorando ideias inovadoras para preencher lacunas em muitas das questões controversas e sensíveis em discussão, com o objetivo de chegar a um acordo em princípio que abra caminho para as próximas negociações”, declarou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Catar, Majedal-Ansari, nesta terça-feira (15/7).



Fonte: Matrópoles


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