O governo dos Estados Unidos anunciou, nesta terça-feira (23/6), uma nova rodada de sanções contra cinco empresas cubanas ligadas ao conglomerado militar-empresarial GAESA (Grupo de Administração Empresarial S.A.) e contra Annalie Lilliam Rueda Cardero, esposa de Alejandro Castro Espín, filho do ex-presidente cubano Raúl Castro.
A medida faz parte da estratégia de Washington para aumentar a pressão sobre o governo cubano, que enfrenta a pior crise econômica das últimas décadas, marcada por escassez de alimentos, apagões frequentes e dificuldades no abastecimento de combustíveis.
Segundo o Departamento de Estado dos EUA, as empresas sancionadas desempenham papel importante no financiamento do regime cubano e estão diretamente vinculadas ao GAESA, conglomerado controlado pelas Forças Armadas de Cuba e considerado por Washington uma das principais fontes de recursos do Estado.
Entre as empresas atingidas estão a Almacenes Universales, responsável por operações logísticas, a financeira Rafin, o Banco Financiero Internacional e duas companhias estatais do setor mineral: a Geominera e a Empresa Siderúrgica José Martí, conhecida como Antillana de Acero, considerada a maior siderúrgica da ilha.
Marco Rubio endurece discurso contra Havana
Em comunicado, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmou que as novas sanções visam atingir estruturas que, segundo ele, sustentam economicamente o governo cubano.
Rubio acusou o regime de priorizar o controle político em detrimento das necessidades da população e declarou que o GAESA tem sido utilizado para concentrar recursos nas mãos da elite governante.
“O conglomerado controlado pelo exército cubano tem servido persistentemente como o principal vetor para que as elites do regime roubem os poucos recursos da ilha”, afirmou o secretário.
Ele também advertiu que instituições financeiras e empresas estrangeiras que mantenham relações comerciais com as entidades sancionadas poderão ser alvo de medidas semelhantes por parte do governo americano.
Cuba acusa Washington de promover cerco econômico
A resposta de Havana veio poucas horas após o anúncio das sanções. Em publicação nas redes sociais, o ministro das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez Parrilla, criticou duramente a decisão dos Estados Unidos.
Segundo o chanceler cubano, as novas medidas fazem parte de uma política destinada a sufocar economicamente o país.
“O governo dos EUA continua adotando medidas para apertar o cerco à economia de Cuba. O que esse indivíduo promove a partir da maior potência do mundo é um crime”, escreveu Rodríguez ao comentar as declarações de Rubio.
Pressão sobre o governo cubano
Em janeiro, os Estados Unidos ampliaram restrições relacionadas ao setor energético cubano, agravando os desafios enfrentados pela ilha. Nas últimas semanas, a lista de indivíduos e entidades sancionadas também aumentou.
No último dia 5 de junho, Washington anunciou medidas contra o presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, além de integrantes da família Castro.
Entre eles estava Alejandro Castro Espín, de 60 anos, filho de Raúl Castro. Agora, a esposa dele, Annalie Lilliam Rueda Cardero, também passa a integrar a lista de pessoas sancionadas.
Alejandro Castro Espín teve papel relevante nas negociações secretas entre Cuba e Estados Unidos que culminaram no restabelecimento das relações diplomáticas entre os dois países em 2015, durante os governos de Barack Obama e Raúl Castro.
Fonte: Metrópoles

