Macron discursa com óculos escuros em Davos e manda indireta a Trump

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Ao fazer seu discurso na 56ª edição do Fórum Econômico Mundial (WEF) nesta terça-feira (20/1), em Davos (Suíça), o presidente francês, Emmanuel Macron, chamou atenção por usar óculos escuros, no estilo aviador. Segundo a imprensa internacional, o acessório é para esconder um problema ocular temporário, oficialmente identificado como um pequeno rompimento de um vaso sanguíneo.

Macron fez um discurso defendendo a soberania dos países europeus e o multilateralismo, em uma fala interpretada pela imprensa internacional como uma indireta aos planos expansionistas do presidente Donald Trump, principalmente em relação à anexação da Groenlândia.

Macron disse que a França e a Europa estão “obviamente” ligadas à soberania e à independência nacionais, e que isso é uma forma de não “esquecer totalmente” as lições da Segunda Guerra Mundial e de manter o compromisso com a cooperação entre países. Ele lembrou que foi por causa desses princípios que os franceses decidiram participar dos exercícios militares na Groenlândia, “sem ameaçar ninguém, apenas apoiando um aliado em outro país europeu – a Dinamarca”.

Segundo o líder francês, “não é momento para imperialismos e colonialismos” e a União Europeia não deve se curvar à “lei do mais forte”.

O presidente francês também mencionou os conflitos mundiais como um todo, citando a instabilidade e os desequilíbrios do mundo atual. “O conflito se tornou algo normal. […] Houve mais de 60 guerras em 2024, um recorde absoluto”, frisou. Depois, Macron emendou, arrancando risadas abafadas da plateia, “mesmo que eu entenda que algumas delas foram manipuladas”.

Concorrência econômica

Sobre a economia internacional em si, Macron foi mais direto e afirmou que a concorrência dos EUA em acordos comerciais “prejudicam nossos interesses de exportação, exigem concessões máximas e visam abertamente enfraquecer e subordinar a Europa”.

Segundo o presidente francês, o “acúmulo interminável de novas tarifas é fundamentalmente inaceitável”. Para ele, as tarifas são “usadas como forma de pressionar a soberania territorial”.

O recado foi dado um dia depois de Trump ameaçar a França com uma tarifa de 200% sobre vinhos e champanhes franceses. A medida foi apresentada como uma retaliação direta após o presidente francês recusar o convite de integrar o recém-proposto “Conselho da Paz”, iniciativa de Trump que pretende rivalizar com as Nações Unidas na resolução de conflitos globais.



Fonte: Metrópoles


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