Foto: Richard Casas /GVG
A Secretaria de Estado da Segurança Pública (SSP-SC), juntamente com as Polícias Militar, Civil e Científica, além do Corpo de Bombeiros Militar, realizou na tarde desta quinta-feira, 7, um evento alusivo ao Dia D da Operação Shamar 2025, voltada ao enfrentamento da violência contra a mulher, bem como à comemoração dos 19 anos da Lei Maria da Penha.
O encontro, conduzido pelo secretário adjunto da SSP, coronel Sinval Santos da Silveira Júnior, contou com a participação da vice-governadora de Santa Catarina, Marilisa Boehm, e de representantes das forças de segurança. Na ocasião, a psicóloga da Polícia Civil, Samira Mafioletti Macarini Frizon, proferiu a palestra A violência psicológica contra a mulher: identificação, acolhimento e encaminhamentos possíveis.
A vice-governadora Marilisa Boehm destacou que a violência contra a mulher é um problema cultural que exige atuação em diversas frentes, sendo a segurança pública uma delas, exercendo um trabalho exemplar no estado. Segundo ela, se hoje Santa Catarina dispõe de estatísticas sobre esse tipo de crime é porque as forças de segurança estão atentas, notificam os casos e oferecem canais de denúncia, além de programas de acolhimento e atendimento. Marilisa lembrou com tristeza das dificuldades enfrentadas quando atuava como delegada na década de 1990, época em que ainda não existiam a Lei Maria da Penha, medidas protetivas nem a tipificação do crime de feminicídio. “Muitas vezes, a saída era comprar uma passagem para a vítima fugir da cidade”, disse.

De acordo com a vice-governadora, atualmente existem diferentes mecanismos que contribuem para a segurança das mulheres em Santa Catarina, embora ela reconheça que ainda há muito a ser feito, principalmente na divulgação das ações das forças de segurança. “Precisamos conscientizar as mulheres de que elas têm como se defender. Vocês que estão na ponta, falem com essas vítimas, informem os canais de denúncia, para que elas não deixem acontecer de novo. Essa operação é voltada a promover mais consciência e mais divulgação, porque o combate à violência contra a mulher não é pauta de um mês, mas uma missão permanente em nosso estado”, concluiu.
Com a realização da solenidade, o secretário adjunto da Segurança Pública, coronel Sinval Santos, declarou oficialmente deflagrada a Operação Shamar em Santa Catarina, reiterando o compromisso do governador Jorginho Mello e das instituições de segurança no combate à violência doméstica e familiar contra a mulher e ao feminicídio. O coronel Sinval destacou ainda a criação do Plano Estadual de Combate à Violência Contra a Mulher, que, sob a coordenação da vice-governadora, será mais uma importante medida do Governo para enfrentar diretamente o problema.
“Somos o estado mais seguro do Brasil, mas ainda temos um grande desafio: melhorar os índices relacionados às mulheres vítimas de violência. Entretanto, é preciso destacar que esses números ganham visibilidade por conta das ferramentas e programas altamente eficientes e especializados na proteção dessas vítimas, como as delegacias especiais e o programa PC por Elas, da Polícia Civil, e os programas Rede Catarina de Proteção à Mulher e Patrulha Maria da Penha, da Polícia Militar. A Operação Shamar é uma forma de intensificarmos ações de inteligência, preventivas, educativas e ostensivas no mês em que é celebrada a campanha Agosto Lilás”, concluiu.

Forças de segurança reforçam compromisso
A coordenadora das Delegacias de Proteção à Criança, Adolescente, Mulher e Idoso de Santa Catarina, delegada de Polícia Civil Patrícia Maria Zimmermann D’Avila, destacou a união de forças que marca o escopo da Operação Shamar na repressão a todos os crimes de violência contra a mulher. Ela também enalteceu a data em que a Lei Maria da Penha completou 19 anos, reconhecendo a importância fundamental da legislação. “Enquanto mulheres estiverem morrendo, permaneceremos firmes na luta contra essas práticas inadmissíveis. A operação termina no dia 4 de setembro, mas o nosso trabalho não para”, afirmou.

O subcomandante-geral da Polícia Militar de Santa Catarina, coronel PM Jofrey Santos da Silva, também ressaltou a importância da união das forças de segurança no enfrentamento à violência contra a mulher. Ao destacar a atuação da Polícia Militar em suas diversas frentes, o coronel Jofrey chamou atenção para o trabalho voltado à educação e à conscientização das crianças, como forma de eliminar a cultura da violência, ainda enraizada na sociedade.
“Nosso papel vai além da Operação Shamar e da repressão. Precisamos cultivar princípios e tradições, e isso envolve a participação ativa das famílias, da escola e das instituições religiosas”, defendeu.

A perita-geral da Polícia Científica, Andressa Boer Fronza, falou sobre o trabalho realizado por meio do Programa Protege, que visa à coleta de dados qualificados como base para futuras políticas públicas e possíveis mudanças legislativas. Ela também reforçou a importância da divulgação e orientação do público feminino sobre seus direitos e os serviços disponíveis.
“É muito importante que as vítimas compareçam à Polícia Científica para a realização dos exames. Sem esse procedimento, não conseguimos comprovar as agressões nem as ações dos suspeitos. Vale destacar que realizamos um trabalho em rede, que vai além da segurança pública e deve envolver toda a sociedade”, alertou.

A chefe da Divisão de Saúde e Promoção Social do Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina, tenente-coronel BM Isabel Ivanka Kretzer Santos, reforçou a necessidade de se estabelecer políticas públicas mais eficazes.
Sobre a Operação Shamar
A Operação Shamar, cujo nome em hebraico significa “cuidar, guardar, proteger”, é coordenada pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), por meio da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp). Em Santa Catarina, a coordenação estadual é feita pela Secretaria de Estado da Segurança Pública (SSP-SC), com participação do setor de inteligência para o levantamento e acompanhamento das ocorrências e estatísticas, e execução das forças de segurança.
O objetivo da operação é concentrar esforços em ações coordenadas de prevenção, educação, fiscalização ostensiva e repressiva, com o propósito de combater a violência contra a mulher e proteger esse grupo vulnerável em Santa Catarina. A operação ocorre entre os dias 1º de agosto e 4 de setembro de 2025.

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Fonte: Agência de Notícias SECOM

