Um estudo clínico apresentado na Conferência Internacional da Associação de Alzheimer, em Londres, nesta terça-feira (14/7), mostrou a eficácia e a segurança de uma forma medicinal à base de THC e CBD, compostos da maconha, para o tratamento de idosos com demência em estágio avançado.
O estudo denominado LiBBY (Benefícios do canabidiol e tetraidrocanabinol no fim da vida) analisou 120 pacientes com idade média de 80 anos, diagnosticados com Alzheimer ou outros tipos de demência, que apresentavam agitação e estavam elegíveis para cuidados paliativos.
Utilizando o ensaio duplo-cego, método em que nem o paciente, nem os cuidadores e nem os médicos sabem quem vai receber a formulação ou o placebo, dez centros médicos americanos visitaram as residências dos idosos participantes.
Dessa forma, os cuidadores administraram o medicamento e avaliaram a agitação dos idosos utilizando o Inventário de Agitação de Cohen-Mansfield (escala de 29 fatores) e a Avaliação da Impressão Clínica Global de Mudança de Comportamento.
Os resultados mostraram que, em duas semanas — considerado período de ação rápida —, o grupo que usou a formulação de THC e CBD apresentou uma melhora com redução de 6,27 pontos na escala de agitação em comparação ao grupo placebo, efeito que se manteve após 12 semanas de tratamento.
“Os resultados deste ensaio clínico foram extremamente impressionantes e demonstraram um nível de resposta nunca antes visto em ensaios clínicos relacionados à demência. Raramente vemos quase 90% dos pacientes em um ensaio clínico responderem positivamente a um novo medicamento”, relatou Jacobo Mintzer, um dos principais pesquisadores, em comunicado.
Em uma avaliação de mudança de comportamento, o grupo tratado com a formulação mostrou níveis significativamente menores de agitação no corpo em relação ao grupo placebo, e isso tanto no período de duas semanas (83,9% contra 30,5%) quanto em 12 semanas (87,2% contra 23,6%).
Já em relação à segurança, os pesquisadores observaram que efeitos adversos como infecções e distúrbios gastrointestinais se mostraram bem parecidos com os do grupo placebo (46,7% contra 42,4%) e foram considerados esperados devido à faixa etária dos participantes.
A coautora do estudo, Brigid Reynolds, destaca que esta pode ser uma boa opção terapêutica em relação às existentes. “As opções de tratamento atuais são limitadas e frequentemente apresentam efeitos colaterais significativos, o que reforça a necessidade de terapias mais seguras e eficazes”, destaca em comunicado.
Apesar de os resultados serem promissores, os pesquisadores alertam que a fórmula testada difere dos produtos de THC e CBD vendidos comercialmente.
Fonte: Matrópoles

